Dia do Professor: entrevista com um jovem profissional

Há algumas décadas a profissão “professor” era uma das mais bem vistas pela sociedade. O educador era tido como uma espécie de patrono do conhecimento, suas opiniões eram ouvidas e seu prestígio junto aos outros era enorme. Hoje em dia parte desse glamour se dissipou, mas a vocação e o estudo daqueles que amam ensinar se sobressaiu em meio a isso.

Conversamos com Rodolfo Previato, 19 anos, professor do curso pré-vestibular oferecido pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, nas matérias de Português, Literatura, Redação e Inglês. Ele, que além de educador é aluno, cursa o terceiro ano de Letras na mesma instituição em que leciona. Falando diretamente com alunos já afastados da escola e também com estudantes do Ensino Médio, Previato conta que já ensinou a crianças do Ensino Fundamental e Médio.

Bastante centrado, ele, mesmo com pouca idade, mostra opiniões contundentes sobre a Educação no Brasil e o papel do professor hoje em dia. Leia abaixo a entrevista completa.

O que te levou a escolher essa profissão?
Mentiria se eu falasse que sempre sonhei com isso. Mas, de fato, a ideia de ser professor sempre, desde que me lembro, esteve comigo quando me perguntaram o que eu queria ser ‘quando crescer’.  Claro, depois de arqueólogo e paleontólogo, a primeira coisa que quis ser foi professor de geografia, depois de história, mas acabei cursando Letras, por atração ímpar por Literatura.

Como é sua relação com seus alunos?
É relativo. Depende da sala, do aluno. Eu tenho uma paciência enorme, e isso é fundamental se você quiser levar essa vida docente. Sou amigável, mas sem deixar de cobrar, se você for ‘duro’ demais com os alunos eles irão apenas temer você, e eu não creio que o temor seja o modo de levar uma sala de aula, assim como, se você foi amigável demais, os alunos se aproveitam. Eu tento misturar os dois.

Para você, qual é a principal dificuldade que um docente enfrenta no dia a dia? E o que é mais gratificante?
Condições para um trabalho de qualidade e formação contínua para que a qualidade se mantenha, isso, claro, pensando na escola pública, que é meu foco. A condição da escola e a qualidade (abordagem teórico-metodológica) implicam diretamente no comportamento do aluno, claro, entendendo que não é só isso. Então, acho errado sair por aí dizendo que o maior problema é o comportamento do aluno, como virou costume dizer. O maior problema par o professor é o molde educacional brasileiro, a escola em seu modelo arcaico, e as condições de trabalho.

A coisa mais gratificante em ser professor é observar que seus alunos conseguiram compreender aquilo que você ensinou, e principalmente, que conseguiram aplicar de algum modo aquilo à vida deles. Principalmente nas disciplinas que trabalho, português e literatura, sabendo dos enormes problemas que a população em geral tem com a língua portuguesa, sua estrutura e seus modos de construção.

O que te motiva a dar aulas?
A enorme vontade de ensinar e aprender, pura e simplesmente.

Na sua opinião, a figura do professor é valorizada?
Não do modo que deveria ser. E nem é mais admirada, como um dia já foi.

Como enxerga a educação no país hoje? O que poderia ser diferente?
O modo de fazer a educação mudou, as metodologias mudaram, os professores mudaram, os alunos mudaram. Entretanto, as mudanças ficam no plano abstrato e não no concreto, a escola. O maior problema da educação no país é a escola, estruturalmente arcaica, modalizada em padrões fechados, que possibilitando as mudanças reais supracitadas. Queremos alinhar a educação brasileira aos padrões de países desenvolvidos, mas não damos estruturas à base da educação, a escola. A escola, ela mesma, não a educação, prende e subjulga o conhecimento, os alunos, a própria educação, e principalmente os professores.

Qual conselho você daria para quem planeja seguir essa carreira?
Paciência. Força de vontade. Esclarecimento. Polidez. Clareza política (educação é política sim, sem referência a nenhum ‘lado’, mas ao ser humano como essencialmente político). Você deve ter em mente o que ser professor implica, e a importância que você tem na vida dos diversos educandos que você terá em mãos (mesmo que eles não demonstrem).

Por: Thiago Dantas.


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