Empregos Inusitados: entrevista com um cervejeiro

Entrevista com um cervejeiro | empregos inusitados

Quando se pensa em trabalho, quase nunca pensamos, de imediato, em profissões pouco ortodoxas.

Quando se fala em emprego, as imagens mais recorrentes são de profissionais que trabalham com camisa social e gravata, ou em fábricas. Mas o mercado de trabalho nunca se restringiu a isso. Desde que o mundo é mundo há pessoas que ganham a vida fazendo arte, trabalhando com serviços menos palpáveis e atuando em áreas convencionais fazendo coisas menos convencionais.

Com a chegada da internet ao cotidiano dos indivíduos e criação de novos mercados e oportunidades, o leque de possibilidades trabalhistas se expandiu ainda mais. Não raro encontramos, às vezes em nosso próprio círculo de amigos e contatos, gente que pratica as mais variadas (e distintas) atividades. Pensando nisso, iniciamos hoje uma série de entrevistas com profissionais que possuem empregos que são tidos como “diferentes”.

Para começar, conversamos com Leopoldo Bitencourt (leopoldobitencourt@gmail.com), de 26 anos, natural de Caixias do Sul – RS, que é cervejeiro e que tem o muitos acham o trabalho dos sonhos: o de sommelier de cerveja.

 

Como é ser um cervejeiro? Qual sua rotina de trabalho?
Ser cervejeiro é bem puxado. Produzir uma cerveja leva horas e é preciso estar preparado pra resolver problemas que vão surgindo ao longo do dia. Para se ter uma ideia, às vezes só é possível sair e ir embora depois de mais de 10 horas trabalhando. O trabalho é bem físico também, principalmente em pequenas cervejarias, onde o processo de fabricação, desde carregar malte até encher barril, é feito inteiramente por um único profissional.

Presumo que a maioria das pessoas não tem ideia do quão difícil e pesado é o seu trabalho. Como elas reagem quando você conta o que faz? Aposto que há até quem sinta inveja…
As pessoas reagem de uma forma meio estranha às vezes… Muitos ficam rindo, achando que é brincadeira, mas, enfim, alguém tem que fazer bebidas. Hahaha.

Como você caiu nesse mundo? Sonhava desde criancinha que iria ganhar a vida fazendo cerveja?
Minha família faz cerveja em casa há alguns anos. Eu comecei a fazer cervejas em casa, quando eu tinha 23 anos. Na época participava dos encontros de cervejeiros caseiros e saturado do meu antigo emprego (antes de ser cervejeiro, Leopoldo dividia seu tempo entre as aulas da faculdade de Publicidade e Propaganda e um emprego como mecânico), fui trabalhar com amigos numa cervejaria. Ali comecei a estudar e me envolver nesse mundo mais a fundo.

Sua relação pessoal com a bebida mudou depois que você começou a trabalhar como cervejeiro?
Comecei a prestar mais atenção, a valorizar mais o artesanal, o bem feito, e a procurar saber mais sobre o produto que consumo e a empresa que o faz. Trabalhar com cerveja artesanal é um enorme aprendizado, estamos sempre procurando o novo, o diferente, uma cerveja que possa superar expectativas.

Qual a melhor e a pior coisa de trabalhar com cerveja?
A melhor coisa de se trabalhar com cerveja é a satisfação de fazer uma boa cerveja, que seja bem apreciada e reconhecida. Pessoalmente não vejo um lado ruim, sabe? Sendo honesto, apenas a falta de emprego em grandes centros incomoda um pouco.

Agora que você tocou nesse assunto, por que é tão difícil trabalhar como cervejeiro nos grandes centros?
Os grandes centros cervejeiros estão concentrados pelo interior, de modo geral, muito pela qualidade da água e pelos impostos industriais, que são menores nessas cidades.

Falando um pouco sobre o mercado de trabalho, como você enxerga hoje a situação do cervejeiro no Brasil? Acha que o mercado está aquecido, estagnado ou saturado?
O mercado ainda sente falta de bons profissionais, cara. Tem muita gente fazendo e pouca gente fazendo bem – o que é imprescindível pro mercado. E aquilo: pra bons profissionais sempre há espaço.

E dá para ganhar dinheiro?
Dá um dinheiro honesto sim, cara. Para se ter uma ideia, recém formados começam ganhando, em média, três mil reais em cervejarias… Mas quem trabalha nessa área é muito mais movido pelo prazer e pelo desafio de fazer uma cerveja boa do que por ganhar muita grana.

Qual é a sua formação? O que o mercado exige de quem deseja entrar nessa área?
Minha primeira formação é como técnico mecânico. Cheguei a cursar Publicidade e Propaganda, mas larguei tudo para ser cervejeiro. Fiz o curso de cervejeiro pela Acerva Gaúcha e por enquanto só. Há um curso de mestre cervejeiro no Brasil, pelo SENAI, de 840 horas. Em relação a entrada do mercado, isso depende muito de como tu quer começar. Às vezes é bem possível entrar na área como auxiliar – sem ter nenhuma experiência…

Para fechar, qual o ponto que mais te deu orgulho em sua carreira como cervejeiro?
Muito me orgulha que no último festival brasileiro, a primeira cervejaria que trabalhei tenha ganho três medalhas em três estilos diferentes. Esse  reconhecimento é absurdamente importante pra um mercado em expansão como o das cervejas artesanais.

 

por: Thiago Dantas.


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