Empregos Inusitados: entrevista com uma UX Designer

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Dando prosseguimento a nossa série de matérias com profissionais que atuam em empregos inusitados, conversamos hoje com Marcela Hippe, uma paulistana nascida em Santos que trabalha como UX Designer desde 2011 – e quando conta o que faz para as pessoas elas fazem cara de “hãn?”.

Se você não sabe o que é um UX Designer e quer aprender, ou se já sabe e deseja conhecer um pouco mais da rotina e das possibilidades =do mercado, leia abaixo a entrevista que fizemos com uma expert no assunto.

 

Marcela, conta para a gente: o que é UX Designer?
UX Designer é uma abreviação de User Experience Designer, ou seja, Designer de Experiência do Usuário. Esse nome pode parecer abrangente demais… porque a profissão realmente é. Um UX Designer é responsável por entender o usuários de um produto e propor a melhor solução possível de interação (entre o usuário e o produto).

Vou focar a explicação pra produtos web, pra ficar mais fácil: quando a empresa decide criar um produto web, o UX Designer participa das decisões de planejamento (por exemplo, modelo de negócio e definição de escopo – o que e quando cada coisa será desenvolvida); depois, deve estudar o público pra entender de fato as necessidades dos possíveis clientes desse produto; com essas informações, ele desenha os fluxos de navegação e interações. Aí sim, com essas definições feitas, ele desenha wireframes (guias visuais) de cada uma das telas.

Vou usar o Twitter como exemplo: provavelmente um UX Designer definiu que a coluna da esquerda deveria ter os dados do perfil da pessoa, sua foto, a quantidade de seguidores; que a coluna do meio – a maior de todas – mostraria os tweets dos outros, em ordem do mais recente pro mais antigo. Enfim, cabe ao UX Designer tomar todas as decisões de estrutura e funcionamento do produto. E isso tudo pode ser aplicado pra sites, produtos web, sistemas, aplicativos mobile e até mesmo interfaces físicas – como uma impressora, um painel de avião ou uma máquina de lavar.

Como as pessoas reagem quando você conta o que faz? Elas entendem?
Olha, 90% das vezes eu não posso dar uma resposta desse tamanho, né? Hahaha! Então em geral eu respondo que “trabalho com produtos pra internet”. No final acabam entendendo que eu “faço sites”, mas tudo bem. ¯\_(?)_/¯

E como você começou a trabalhar nessa área?
Então, eu trabalhava há pouco mais de 1 ano na área de Marketing de uma empresa de eventos quando surgiu a necessidade de refazer o site da empresa.

Combinamos que eu decidiria a estrutura do novo site e faria o layout, e depois contrataríamos um desenvolvedor. Então eu fui pro Google e joguei “como fazer um site”. Porque por mim eu já ia abrir o Photoshop e começar a desenhar. Foi aí que eu descobri que não era bem assim, que existia um trabalho muito maior por trás, que o layout era só uma das partes do projeto.

Me interessei muito pelo assunto, comecei a ler sobre Arquitetura de Informação, comprei um livro sobre design pra internet e me apaixonei pelo tema. Alguns meses depois, pintou uma oportunidade pra trabalhar como UX Designer na Locaweb, e eles procuravam justamente alguém Júnior, sem experiência mas com vontade de aprender. Entrei em 2011 e estou lá até hoje, atualmente como UX Designer Pleno.

Qual sua formação? E quais são os requisitos que o mercado exige para quem deseja entrar nessa área?
Sou formada em Publicidade e Propaganda. Uma coisa interessante é que muita gente dessa área começou, de certa forma, como eu: totalmente por acaso. Como a área é relativamente nova – afinal, a internet do jeito que a gente conhece só existe há 20 anos, não existe nenhuma formação específica pra se tornar um UX Designer.

Agora, uma graduação que tem absolutamente tudo a ver com a área – e isso vai parecer estranho – é Biblioteconomia. Todos os conceitos de arquitetura de informação, taxonomia, hierarquia de informações, são ensinadas nesse curso. E é justamente esse conhecimento teórico que eu não tenho e estou sempre buscando.

Inclusive, estou fazendo um curso online sobre taxonomia. Acredito que pra alguém começar na área de UX pra web, basta ter interesse webdesign e em pessoas. Porque precisa entender bastante a maneira como as pessoas interagem com telas, com sites, com ferramentas de busca, com interfaces mobile e por aí vai. E tudo isso tem muita base lá na Biblioteconomia, porque o objetivo principal de organizar bem as informações de um site (ou de qualquer interface) é justamente torná-las fáceis de serem encontradas.

Qual a melhor e a pior coisa de ser uma UX designer?
Na minha opinião, a melhor coisa é entregar valor pro usuário. Criar um produto que ele sinta prazer de usar, que faça ele atingir os objetivos que deseja.

A pior coisa, é a frustração que dá quando a gente não conseguir fazer isso. Às vezes, processos burocráticos diminuem a velocidade das entregas de funcionalidades, por exemplo, e aí a gente sabe que o usuário está sofrendo com algum problema de interface e não consegue resolver rápido.

E dá dinheiro?
Dá sim. Principalmente porque é difícil encontrar gente boa.

A maioria dos profissionais estão meio que no mesmo nível (salarial e de carreira) porque começaram meio que na mesma época. Então é difícil achar alguém Júnior, por exemplo.

E quem é mais Sênior em geral saiu de alguma empresa grande e foi pra outra pra ganhar mais. Comparando com outras áreas, os salários de UX são bem interessantes. Acho que, em média, um profissional iniciante tem um salário de R$ 1.000,00 e pouco. Um cara mais Sênior, dependendo de onde ele estiver, pode ganhar uns 7, 8 mil. Estou chutando um pouco porque não sei exatamente, mas tem algumas pesquisas de salários que podem dar dados mais exatos.

Interessante isso. Falando um pouco sobre o macro, como está o mercado hoje para profissionais como você? Aquecido? Saturado? Carente de profissionais?
Aquecido. Fervendo! Existem muitas empresas grandes que já têm áreas muito bem estruturas de UX, como a Locaweb, a Globo.com e o Uol – pra citar alguns – e elas estão sempre buscando novos profissionais.

Mas também cada vez mais as empresas estão percebendo que precisam entender melhor seus clientes e entregar coisas com mais qualidade, e aí buscam ajuda em consultorias. Então tem espaço pra caramba! 🙂

por: Thiago Dantas.


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