Empregos Inusitados: entrevista com uma jornalista de celebridades

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Há quem diga que a profissão dos jornalistas é uma das mais importantes de todas – afinal, é através de profissionais da área que as pessoas comuns tomam conhecimento dos fatos que ocorrem ao redor do mundo, se informam e constroem seus pensamentos e filosofias.

Dentro desse universo, há um grupo bastante especial que atua sob um prisma que, para alguns, é superficial e limitado, mas que é, para a maioria, divertido, leve e interessante. Estou falando sobre os jornalistas de celebridade – que, entre outras coisas, cobrem o dia a dia dos famosos e noticiam, mais do que qualquer outra coisa, temas de interesse humano.

Para entender melhor esse segmento da profissão (não, não é fofoca), conversamos com Bárbara Vieira – uma jornalista que trabalha em um dos maiores sites do gênero no país.

 

Como as pessoas reagem quando você conta o que faz? Imagino que por ser algo pouco ortodoxo as pessoas fiquem interessadas, talvez com cara de “hãn?”… Isso acontece muito? Você acha que sua profissão é mal vista?
A maioria acha divertido, interessante. Acho que o jornalismo de celebridades tem ganhado espaço nos últimos anos, as pessoas têm percebido que ler sobre o assunto não as torna menos inteligente.

Mas algumas pessoas ainda acham que é um tipo de jornalismo menor, sim, e já cheguei a ouvir que eu sou capaz de apresentar programas de TV ou escrever sobre assuntos mais “sérios”, como se o que eu fizesse fosse mais fácil ou menos valorizado.

E seu dia a dia é fácil? Conta um pouco da sua rotina de trabalho.
Trabalho oito horas por dia numa redação, com uma hora de intervalo para almoço. Como é site, a escala de horários é bem respeitada. Uma vez por mês, no mínimo, há um plantão no final de semana, de forma que trabalho, às vezes, 12 dias direto, sem folga. Também não tem folga em feriado, seja Natal, Réveillon, ou nos jogos da Copa. Fora isso, nossas fontes procuram a gente nos horários mais improváveis: aos sábados à noite, por exemplo, eu sempre recebo um whatsapp de algum personagem…

E dá dinheiro?
Não é uma profissão para quem quer ganhar bem, definitivamente. O piso é R$ 2.300,00 para 5 horas de trabalho e R$ 3.700,00 para 7, mas não é raro que paguem bem menos por aí. Fora que as empresas de comunicação têm cada vez mais investido em contratos de PJ (pessoa jurídica) em detrimento dos contratos CLT.

Como você caiu nesse mundo?
Fiz um curso sobre jornalismo prático e popular com a editora de economia do Agora SP em 2009. Ela gostou do meu texto e me chamou pra fazer um teste no grupo Folha. Passei e fui trabalhar lá.

Qual sua formação? E quais são os requisitos que o mercado exige para quem deseja entrar nessa área?
Minha formação é em Letras na UNESP (Universidade Estadual Paulista). Não é muito comum entrar no jornalismo sem ter formação na área, ainda que a exigência do diploma esteja em suspenso por enquanto, porque os próprios jornalistas têm muito preconceito contra quem não tem o diploma na área.

Como está o mercado hoje para profissionais como você? Aquecido? Saturado? Carente de profissionais?
Volta e meia acontecem uns cortes nas empresas. Há alguns anos o mercado está saturado, há a inegável crise do jornalismo impresso e os sites têm sobrevivido com cada vez menos pessoas fazendo mais coisas. Para quem está começando, está difícil mesmo, mas também tenho visto bons profissionais, com experiência, que recebem convites e trocam de emprego porque há uma demanda, sim.

Qual a melhor e a pior coisa de ser uma jornalista de celebridade?
É muito legal estar em contato com tantas pessoas diferentes todos os dias. Contar boas histórias, revelar a pessoa por trás da menina que faz tudo pela fama, por exemplo.

É um tipo de jornalismo de entretenimento, divertido de ler, e portanto de fazer. O pior é o pior da profissão como um todo, escala de trabalho pesadas, trabalhar no Réveillon, estar numa megafesta a trabalho…

Tem alguma história engraçada que você se orgulhe de ter coberto ou algo inusitado que aconteceu enquanto trabalhava?
Não tem uma pessoa não tenha ouvido a história da Geisy Arruda, que disse que o que ela tinha “era uma couve-flor, não uma vagina” antes de fazer a cirurgia íntima. Foi um furo meu a entrevista que ela deu falando sobre isso. Depois que saiu no site em que trabalho, a Geisy me contou que todos os outros veículos de imprensa começaram a ligar pra ela querendo que ela repetisse a mesma coisa da couve-flor, mas ela não queria repetir porque estava sem graça e pra mim tinha falado daquela forma porque se sentia à vontade e éramos amigas.

Também acho importante fazer um texto sempre respeitoso com o personagem, tanto que às vezes a empatia criada durante a entrevista fica clara no texto.

por: Thiago Dantas.


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